A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de R$ 5 milhões em bens do ex-secretário de Representação do Governo do Estado do Rio de Janeiro em Brasília (SERGB) e candidato ao Senado nas eleições de 2026, André Luís Dantas Ferreira, conhecido como André Moura (foto em destaque). Ele é investigado por suposta fraude na contratação de uma plataforma educacional pela pasta. Outras três pessoas e uma empresa também foram alvo do bloqueio.
Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), os investigados estão envolvidos no direcionamento da contratação de uma plataforma educacional pela Secretaria, firmada em dezembro de 2023 e prorrogada até dezembro de 2025. Quando o contrato foi celebrado, André Moura era o titular da pasta.
Além de André Moura, são alvos da ação o então subsecretário de Administração da SERGB, Ricardo Cardoso dos Santos; o sócio-administrador da Triunfo Consultoria Educacional Ltda., Vanderlan Ribeiro Vieira; Edmilson Suassuna da Silva; e a própria empresa.
A medida foi deferida pela 13ª Vara da Fazenda Pública da Capital em
ação de improbidade administrativa ajuizada em julho deste ano pelas 5ª e 8ª
Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva do Patrimônio Público e da Cidadania
da Capital.
Entenda
Segundo a ação, a contratação da Triunfo foi direcionada por meio da
adesão indevida a uma ata de registro de preços do Consórcio Intermunicipal de
Desenvolvimento Rural Sustentável (Cidrus), de Minas Gerais (MG), ocasionando
desvio de recursos públicos e danos ao erário.
O contrato previa mais de seis mil licenças de software educacional, ao
custo unitário de R$ 399, e passou de R$ 2,5 milhões para R$ 5.001.864 após ser
prorrogado pelo mesmo período e valor.
A investigação apontou que a ata mineira previa uma plataforma voltada
ao reforço escolar, enquanto a contratação da SERGB tinha como finalidade
capacitar gestores, técnicos e servidores públicos em temas como orçamento,
finanças, gestão de convênios e prestação de contas.
Segundo o MPRJ, análise do Grupo de Apoio Técnico Especializado (Gate/MPRJ) concluiu que as diferenças de público-alvo, conteúdo e finalidade afastavam a compatibilidade necessária para a adesão à ata.
As Promotorias também identificaram vínculos funcionais anteriores entre
os envolvidos.
O sócio-administrador da Triunfo, Vanderlan Ribeiro Vieira, por exemplo, havia atuado como assessor e subsecretário na Administração Estadual sob a chefia de André Moura e, posteriormente, passou a integrar o quadro societário da empresa contratada.
Já o então subsecretário de Administração da SERGB, Ricardo Cardoso dos
Santos, permaneceu na estrutura da Secretaria sob a chefia de André Moura e,
segundo a ação, atuou na formalização da contratação e na ordenação das
despesas em favor da empresa.
A ação aponta ainda indícios de reduzida capacidade técnica, operacional e patrimonial da Triunfo, que iniciou suas atividades em 2022 e, segundo as apurações, não possuía vínculos formais de emprego registrados.



