Os
ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julgam nesta terça-feira (15) a
conduta de Alexandre de Mores na relação com o Banco Master em meio à
maior crise do Judiciário de todos os tempos. Desde que o ministro André
Mendonça retirou, no começo de setembro, o sigilo do relatório da Polícia
Federal (PF) que apontou 52 mensagens de Vorcaro para Moraes, o STF vive uma
guerra de liminares por conta da gravidade do caso.
No
entanto, outro fator por agravar ainda mais a imagem do Supremo. Isso porque
outros quatro ministro também têm alguma relação direta ou indireta com o Banco
Master. São eles: André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux
e Alexandre de Moraes.
Diretamente
envolvidos na situação, André Mendonça e Alexandre de Moraes podem ser
declarados impedidos ou suspeitos no julgamento. Já Toffoli, primeiro primeiro
relator dos inquéritos envolvendo o Banco Master e a Operação Compliance Zero
na Suprema Corte, deixou a relatoria dos processos no início de 2026, após
questionamentos sobre um resort no Paraná. O avanço das investigações revelou
uma teia que envolve o banco Master, a gestora de investimentos Reag e o Resort
Tayayá, que teve participação da família do ministro até o ano passado. Diante
da revelação de investimentos e operações vinculadas a fundos associados ao
grupo financeiro de Vorcaro, Toffoli deixou a relatoria do caso, abrindo
caminho para André Mendonça ser o novo relator.
Os
outros dois ministros têm elos indiretos com o Banco Master. O principal
fundamento apresentado nos bastidores é a existência de ligações de familiares
diretos de Luiz Fux e Kássio Nunes Marques, o que comprometeria a
imparcialidade das votações. Em relação ao ministro Luiz Fux, seu filho,
Rodrigo Fux, esteve presente em eventos organizados por Daniel Vorcaro.
Relatórios e levantamentos divulgados na imprensa apontam que Rodrigo esteve em
outros eventos sociais que teriam organização tocada pelo banqueiro, incluindo
um convite para um camarote na Marquês de Sapucaí em 2025.
Entre
os vínculos citados sobre Nunes Marques, o filho dele, Kevin Marques, prestou
consultoria e recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. Dados do Coaf apontam que
a empresa Consult recebeu valores milionários. Desse total, o escritório de
advocacia de Kevin recebeu cerca de R$ 281,6 mil por meio de repasses da
consultoria. Além disso, em novembro do ano passado, o ministro e sua esposa
viajaram em um jato particular de Brasília para Maceió para uma festa de
aniversário. A aeronave em questão pertencia a uma empresa ligada à Prime You,
da qual Daniel Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. O voo foi organizado e
pago pela advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua na defesa do Banco Master.
Diante
dos possíveis impedimentos, uma ala do Supremo defende que apenas cinco
ministros votariam no julgamento desta terça: Edson Fachin, Cármen Lúcia,
Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Destes, a relatoria do caso cabe
ao presidente do STF, que deve nortear o posicionamento a ser seguido pelos
outros magistrados.
Rito do
julgamento
Após a
abertura dos trabalhos na Corte, será feita a leitura e a aprovação da ata da
sessão anterior, seguida da saudação de praxe aos ministros como sempre
acontece no STF.
Na
sequência, será realizado o pregão do processo, com leitura do relatório por
parte de Fachin e a delimitação do objeto do julgamento.
Após a
leitura, será facultada a manifestação da Procuradoria-Geral da República
(PGR), além de eventuais sustentações orais de ministros. É esperado que todos
os ministros tenham alguma manifestação durante o julgamento. Encerradas as
manifestações, o relator apresentará seu voto. Em seguida, votarão os demais
ministros, na ordem regimental.
Ao
final do julgamento, o presidente Edson Fachin proclamará o resultado.



