A influenciadora digital e
advogada Deolane
Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21/5) durante uma operação do
Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um
esquema milionário de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro
Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, Deolane
passou a ser alvo da apuração após análises financeiras identificarem
movimentações consideradas incompatíveis e depósitos suspeitos em contas
vinculadas a ela entre 2018 e 2021.
De acordo com o Ministério Público, a
influenciadora teria recebido dezenas de transferências fracionadas, prática
frequentemente usada para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro. Os
investigadores apontam que mais de 50 depósitos foram realizados em contas
ligadas a Deolane, totalizando cerca de R$ 700 mil.
Parte dos valores teria sido enviada por
um homem da Bahia que recebe salário mínimo e é suspeito de atuar como
“laranja” no esquema investigado. A suspeita é de que contas de terceiros eram
utilizadas para ocultar a verdadeira origem dos recursos.
As investigações também apontam que os
valores recebidos não teriam sido declarados oficialmente. Por determinação da
Justiça, cerca de R$ 27 milhões vinculados à influenciadora foram bloqueados.
A operação, batizada de Vérnix, mira um
suposto esquema sofisticado de lavagem de dinheiro atribuído à cúpula do PCC.
Segundo o MP, a organização criminosa utilizaria empresas de fachada e
transportadoras de cargas para ocultar patrimônio e movimentar recursos do
tráfico de drogas.
Entre os alvos estão Marco Willians
Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal líder da facção, o irmão
dele, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos. Também foi preso Everton de Souza,
conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo.
Os investigadores afirmam que uma
transportadora sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, era usada
para movimentar recursos da família de Marcola por meio de operações comerciais
supostamente fraudulentas.
Além dos bloqueios financeiros, a
Justiça autorizou a apreensão de 39 veículos de luxo. O total de bens e valores
bloqueados na operação ultrapassa R$ 357 milhões.
As investigações começaram em 2019, após a apreensão de manuscritos e bilhetes dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Segundo o MP, o material revelou detalhes sobre a estrutura financeira da facção e levou à identificação de novas camadas do esquema criminoso.


